segunda-feira, 18 de junho de 2012

Morte



Não posso ter certeza de uma vida
Vivendo uma vida de incertezas
Tendo minha mente como fortaleza
E a consciência como foragida

Deixo cair a mão que segurava
Uma pessoa agoniza em resposta
Mas não posso oferecer uma proposta
Tal como ela desejava

Todos agem com tristeza em romaria
Alguns verdadeiramente e outros não
Mas eis que alguém me chama a atenção
Pois dispunha de extrema regalia

Como se imune à moléstia
Fica sozinha em um canto do recinto
E eu estendo a minha mão, que já nem sinto
Enquanto a luz não passa de uma réstia

Eu vejo o seu rosto me encarando
Com um olhar inflexível, flamejante
E tão impenetrável como um diamante
Um discreto sorriso se formando

Vejo, ouço e falo com franqueza
Pois tudo não passa de uma despedida
Meu coração emana a última batida
E depois o silêncio reina com frieza

Então reparo que ela percebeu
Que mesmo assim eu não me dou por vencido
Ela sabe que nem tudo está perdido
Só porque a esperança de todos já morreu

Com o seu sorriso sombrio e agradável
Ela se aproxima lentamente
E a morte agora é mero entorpecente
Para o que sinto que agora é indomável

Todos se foram levando os prantos consigo
E eu ouço um respirar reconfortante
Eu sinto uma forte aura vibrante
E imediatamente faço dela meu abrigo

Contemplo alegremente um rosto belo
E além do rosto também vejo um sorriso
E com um gesto simples e conciso
Beija-me a face com um ar singelo

Meu coração tamborila novamente
E agora tenho a certeza sobre o tudo
E no instante que eu passo mudo
Trago a consciência de volta à mente

Me levanto como o dono da sorte
E pergunto o nome da estranha sorridente
E ela me responde prontamente
Se quiser pode me chamar de... Morte


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